Novas opções no tratamento da gordura no fígado: qual vale mais a pena?

No tratamento da gordura no fígado, especialmente nas formas mais avançadas como a esteato-hepatite associada à disfunção metabólica (MASH), duas classes de medicamentos têm se destacado: os análogos de incretinas (como liraglutida, semaglutida e tirzepatida), que atuam principalmente promovendo perda de peso e melhora metabólica, e o resmetirom, que age diretamente no fígado reduzindo a gordura. Ambos já demonstraram eficácia na melhora da inflamação e da fibrose hepática, mas um estudo recente apresentado no congresso DDW 2026 mostrou que a semaglutida pode ter melhor custo-benefício, além de trazer benefícios para o coração — um fator importante nesses pacientes. Como a doença pode evoluir para cirrose e câncer de fígado, escolher tratamentos eficazes e sustentáveis é fundamental, e os dados atuais reforçam a semaglutida como uma das principais opções disponíveis.

Comida apimentada e o fígado – mitos e verdades

A pimenta costuma ser apontada como vilã da saúde hepática, mas a ciência mostra que, na maioria das pessoas, ela não causa dano ao fígado e pode até estar associada a efeitos metabólicos favoráveis. O desconforto que muitos sentem após comer algo apimentado geralmente vem do estômago ou do intestino, e não do fígado. Neste texto, explicamos de forma clara e baseada em evidências o que é mito, o que é verdade, quando ter cautela e por que tolerância individual importa mais do que proibições genéricas.

Como assim? Eu não posso beber “só um pouco” nas festas de fim de ano?

Se você já tem doença hepática, abstinência de álcool continua sendo a recomendação mais segura e eficaz, não uma opção negociável.
O “copinho social” pode parecer inofensivo, mas o dano hepático é acumulativo e não linear, e o risco não desaparece com bons desejos de fim de ano.

Se quiser brindar, que seja com bebidas sem álcool — porque, no fígado, um brinde seguro é sem etanol.

Atualização: Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE)

A peritonite bacteriana espontânea (PBE) é uma infecção grave do líquido ascítico que ocorre em pacientes com cirrose, sem foco intra-abdominal evidente. Resulta principalmente da translocação bacteriana intestinal e da baixa capacidade imunológica do líquido de ascite, especialmente quando sua concentração proteica é baixa. O diagnóstico baseia-se em contagem de neutrófilos ≥ 250 células/mm³ na paracentese, e o tratamento deve ser iniciado imediatamente com antibióticos de amplo espectro (como cefalosporinas de 3ª geração) e albumina intravenosa para prevenir insuficiência renal. A profilaxia é recomendada apenas em grupos de alto risco (hemorragia digestiva, ascite com baixo teor proteico e fatores adicionais de gravidade). Apesar do avanço terapêutico, a PBE ainda apresenta alta mortalidade e indica descompensação hepática importante, devendo sempre motivar avaliação para transplante hepático e vigilância intensiva.

Hepatopatia grave na legislação brasileira

“Hepatopatia grave” é o termo usado pela legislação brasileira para designar doenças hepáticas avançadas que comprometem gravemente a função do fígado, como cirrose descompensada, hepatite crônica grave ou falência hepática. A condição dá direito a benefícios legais, como isenção de Imposto de Renda sobre aposentadorias, pensões e reformas (Lei 7.713/1988), aposentadoria por invalidez com proventos integrais para servidores públicos (Lei 8.112/1990), saque do FGTS por doença grave (Lei 8.036/1990), além de prioridade na tramitação de processos judiciais e administrativos (CPC 2015 e Lei 12.008/2009). O reconhecimento exige perícia médica baseada em critérios técnicos, especialmente o escore Child-Pugh classe C ou MELD > 15, e a presença de complicações como ascite, encefalopatia, hemorragia digestiva ou hepatocarcinoma, conforme o Consenso da Sociedade Brasileira de Hepatologia e o Manual de Perícia Oficial do SIASS. Esses parâmetros permitem comprovar a gravidade clínica e garantir o acesso aos direitos previstos em lei.

Atualização: Deficiência de alfa-1 antitripsina em adultos

A deficiência de Alfa-1 Antitripsina (AAT) é uma condição genética rara que pode causar doença pulmonar (DPOC precoce) e problemas no fígado, como esteatose, cirrose ou até câncer hepático. A AAT é uma proteína que protege tecidos contra inflamação — quando está deficiente ou defeituosa, pulmões e fígado sofrem. O diagnóstico é feito com exames de sangue e genéticos, e o tratamento foca em evitar agressões (álcool, tabaco, obesidade) e tratar complicações.