esteatose

Novas opções no tratamento da gordura no fígado: qual vale mais a pena?

No cenário atual do tratamento da doença hepática gordurosa (esteatose hepática), duas grandes classes de medicamentos têm ganhado destaque:

  • Os análogos de incretinas (GLP-1/GIP), como:
    • liraglutida (Victoza®, Saxenda®)
    • semaglutida (Ozempic®, Rybelsus®, Wegovy®)
    • dulaglutida (Trulicity®)
    • tirzepatida (Mounjaro®)
  • E o agonista seletivo do receptor beta do hormônio tireoidiano:
    • resmetirom (ainda não disponível no Brasil)

Como esses tratamentos funcionam?

Os análogos de incretinas atuam principalmente de forma indireta no fígado, promovendo perda de peso, melhora da resistência à insulina e redução da inflamação — o que leva à diminuição da gordura hepática.

Já o resmetirom age diretamente nas células do fígado, estimulando o metabolismo da gordura dentro do órgão.

Ambos já demonstraram eficácia em estudos clínicos, com melhora da:

  • gordura no fígado
  • inflamação
  • fibrose hepática

No entanto, são tratamentos de alto custo, o que levanta uma questão importante: qual oferece melhor retorno em termos de benefício?

O que diz o novo estudo?

Essa semana, durante o Digestive Disease Week (DDW) 2026, um dos maiores congressos de doenças digestivas do mundo, pesquisadores da Universidade de Yale apresentaram uma análise comparando esses tratamentos sob a perspectiva de custo-benefício.

Os principais achados foram:

  • Ambos os medicamentos melhoram a inflamação e a fibrose do fígado
  • A semaglutida apresentou melhor custo-efetividade
  • Além disso, mostrou benefícios cardiovasculares, um ponto especialmente relevante nesses pacientes

Por que isso é importante?

A forma mais grave da doença, chamada esteato-hepatite associada à disfunção metabólica (MASH), está em crescimento e pode evoluir para:

História natural da esteatose hepática não alcoólica

Por isso, escolher o tratamento mais eficaz e sustentável não é apenas uma decisão clínica, mas também econômica.

Outros dados relevantes

Outro estudo apresentado no mesmo congresso mostrou que medicamentos da classe dos análogos de GLP-1 estão associados a:

  • Menor risco de morte
  • Menos internações
  • Menor risco de ascite (acúmulo de líquido no abdome)

Conclusão

Os dados atuais reforçam que a semaglutida se consolida como uma das principais opções no tratamento da gordura no fígado mais avançada, com benefícios que vão além do fígado, especialmente na proteção cardiovascular.

Fonte da pesquisa

Njei B, Al-Ajlouni YA, Tanih DN, Kanmounye US, Boateng S, Halwani KW, Nguefang GL, Lim J. Semaglutide versus resmetirom for noncirrhotic MASH with moderate to advanced fibrosis: a cost-effectiveness analysis. Cost Eff Resour Alloc. 2026.

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