cirrose

Impacto da epidemia pelo COVID-19 nos portadores de doenças hepáticas

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   Em artigo publicado hoje na revista científica Journal of Hepatology, os especialistas norte americanos Tapper e Asrani discutem como a epidemia pelo COVID-19 trará consequências negativas ao tratamento dos pacientes com cirrose a curto, médio e longo prazo.
   1. A curto prazo, as consultas e procedimentos eletivos (não urgentes) estão sendo adiados. Isso vai fazer com que menos pacientes sejam submetidos a exames periódicos para a detecção de varizes e câncer do fígado, o que leva a maior risco de hemorragias e de diagnóstico tardio do câncer. O próprio coronavírus pode levar a piora na função do fígado. Além disso, como os procedimentos eletivos estão suspensos e os leitos de UTI ocupados, isso pode atrasar as cirurgias para o câncer, com impacto na sobrevida;
   2. A médio prazo, os pacientes retornarão aos serviços médicos sobrecarregando clínicas e hospitais, e observaremos que as doenças estão descompensadas, incluindo diabéticos mal controlados, alcoólatras que voltaram a beber, ascite, encefalopatia hepática, meses de dieta inadequada, abandono de tratamento e pacientes com câncer avançado. Além disso, a crise econômica e o desemprego vai levar a perda de convênios e ao aumento na sobrecarga do sistema público, que ainda estará sofrendo as consequências da crise;
   3. A longo prazo, as consequências dos diagnósticos e tratamentos tardios vão reduzir a expectativa de vida dos pacientes com cirrose e aumentar a necessidade de tratamentos mais caros, como quimioterapia e transplante hepático.
   Várias propostas são levantadas para tentar minimizar os problemas. A Sociedade Brasileira de Hepatologia, muito corretamente, emitiu nota recentemente recomendando que o seguimento de pacientes cirróticos seja mantido e que, apesar de não ser urgência, a ligadura elástica de varizes esofágicas para prevenir hemorragias pode ser realizada. O ministério da Saúde, o CFM e a ANS aprovaram o uso de Telemedicina, abrindo a possibilidade de continuar o seguimento mesmo de pacientes que precisam ficar isolados.
   Precisamos lembrar que as pessoas não deixam de ficar doentes por outras causas durante essa epidemia. Não dá para se esconder e esperar que todos os outros problemas vão desaparecer. A vida continua e todos precisamos nos cuidar !

Categorias:cirrose

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