cirrose

Quanto de café faz bem para o fígado ?

O café faz parte da rotina de milhões de pessoas. Durante muitos anos, porém, a bebida foi vista com certa desconfiança em relação à saúde. Hoje, essa visão mudou bastante — e o fígado é uma das áreas em que os possíveis benefícios do café têm chamado mais atenção.

Estudos realizados ao longo dos últimos anos sugerem que pessoas que consomem café regularmente apresentam menor risco de desenvolver cirrose, câncer de fígado e complicações relacionadas às doenças hepáticas.

Um estudo recente, realizado com cerca de 350 mil participantes do UK Biobank, no Reino Unido, reforçou essa associação.

Os participantes foram acompanhados por aproximadamente 13 anos. Nesse período, os pesquisadores observaram que quem bebia café regularmente apresentava menor risco de desenvolver cirrose, carcinoma hepatocelular — o tipo mais comum de câncer primário do fígado — e de morrer por doenças hepáticas.

Qual seria a quantidade ideal?

No estudo, quem consumia de 3 a 4 xícaras diariamente apresentou cerca de 35% menos risco de desenvolver cirrose e aproximadamente 40% menos risco de morrer por doenças relacionadas ao fígado.

Para o câncer de fígado, também foi observada uma redução progressiva do risco entre os consumidores de café.

Isso não significa, entretanto, que quanto mais café melhor. A partir de determinada quantidade, o benefício parece atingir um limite, enquanto o excesso de cafeína pode causar efeitos indesejáveis, como insônia, palpitações, ansiedade ou desconforto gastrointestinal em algumas pessoas.

Por que o café poderia proteger o fígado?

O café contém centenas de substâncias diferentes, incluindo compostos antioxidantes e polifenóis.

Essas substâncias podem ajudar a reduzir o chamado estresse oxidativo, a inflamação e alguns dos mecanismos envolvidos na formação de fibrose no fígado.

No estudo mais recente, exames de ressonância magnética também mostraram que pessoas que consumiam mais café apresentavam, em média:

  • menor quantidade de gordura no fígado;
  • menor acúmulo de ferro;
  • menos sinais de inflamação e fibrose hepática.

Esses achados ajudam a explicar por que o consumo de café aparece repetidamente associado a melhores resultados em diferentes estudos sobre doenças do fígado.

Precisa ser café com cafeína?

Curiosamente, parece que não.

Os benefícios também foram observados entre pessoas que consumiam café descafeinado, sugerindo que a cafeína não é a única responsável pelo possível efeito protetor.

Outros componentes naturais do café provavelmente participam desse mecanismo.

Posso colocar açúcar?

No estudo, a utilização de açúcar ou adoçantes não eliminou a associação entre o consumo de café e a redução do risco de cirrose, câncer de fígado ou morte por doença hepática.

Isso não significa, porém, que seja recomendável adoçar livremente o café.

Para pessoas com esteatose hepática associada a alterações metabólicas (MASLD, anteriormente conhecida como doença hepática gordurosa não alcoólica), reduzir o consumo de açúcar continua sendo importante, principalmente quando existem excesso de peso, diabetes ou alterações dos triglicérides.

Sempre que possível, portanto, é preferível consumir o café com pouco ou nenhum açúcar.

E quem prefere chá?

Alguns estudos sugerem que o chá também pode apresentar benefícios metabólicos e estar associado a menor quantidade de gordura no fígado.

Até o momento, porém, as evidências são mais consistentes para o café.

As principais recomendações médicas internacionais sobre doenças do fígado já mencionam o consumo de café como um hábito que pode estar associado a menor progressão da fibrose e menor risco de câncer hepático.

Café não é tratamento

Esse é provavelmente o ponto mais importante.

Embora os resultados sejam interessantes, beber café não trata a esteatose hepática, não substitui a perda de peso e não reverte sozinho uma fibrose já estabelecida.

No caso das doenças metabólicas do fígado, continuam sendo fundamentais:

Alimentação equilibrada, atividade física, controle do peso, diabetes, colesterol e triglicérides, além do tratamento médico quando indicado.

Também é importante lembrar que os estudos sobre café são principalmente observacionais. Ou seja, mostram uma associação entre o consumo de café e menor risco de doença hepática, mas não conseguem provar que o café seja diretamente responsável por toda essa proteção.

Afinal, vale a pena tomar café?

Para quem já gosta de café e tolera bem a bebida, o consumo moderado parece ser um hábito seguro e potencialmente benéfico para o fígado.

As evidências atuais sugerem que cerca de 2 a 4 xícaras por dia provavelmente são suficientes para obter a maior parte do possível benefício.

Não é necessário começar a beber café apenas para proteger o fígado, nem aumentar exageradamente o consumo.

Mas, para quem já aprecia a bebida, existe cada vez mais evidência de que aquela xícara de café pode fazer mais pelo fígado do que simplesmente ajudar a começar o dia.

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